Pesquisadores dizem que perda do acervo de animais em formol, o maior do mundo, é "incalculável"; investigadores da polícia buscam as causas do incêndio
Um incêndio no sábado de manhã no Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo, destruiu grande parte da maior coleção de cobras do mundo.
O acervo queimado guardava cerca de 80 mil serpentes e 500 mil artrópodes, como aranhas e escorpiões. Os animais eram conservados em vidros com formol.
Não havia ninguém no prédio no momento do incêndio. A fábrica de soros e vacinas do Butantan não foi afetada. O instituto é ligado ao governo de São Paulo.
No domingo (16/5), ainda não se sabia a causa do incêndio. Peritos da polícia investigam o caso, sem previsão para a conclusão dos trabalhos.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, 75% do imóvel -que tem entre 600 e 700 metros quadrados- foi atingido pelas chamas. O instituto ainda não contabilizou quantos animais foram destruídos.
Segundo Otávio Mercadante, diretor do Butantan, é provável que espécies únicas tenham sido perdidas. "É uma perda incalculável, pois esses animais não têm valor estimado", afirmou Mercadante.
Giuseppe Porto, diretor do Museu Biológico, disse que esse acervo de exemplares únicos "é uma série pequena, porém, importantíssima".
O local guardava exemplares coletados há mais de cem anos, na época do médico e pesquisador Vital Brazil, o fundador do Butantan.
Choro
O incêndio começou por volta das 7h45 e foi controlado às 8h30. Até o início da tarde, os bombeiros ainda tentavam apagar focos isolados.
A Folha entrou no prédio em uma área em que os bombeiros ainda trabalhavam. O teto havia cedido e as paredes estavam destruídas. A fachada estava cheia de trincas.
Será analisada a necessidade de destruir ou não o que restou do imóvel, da década de 1970.
Segundo a assessoria do Butantan, uma das hipóteses para a causa do incêndio é que produtos químicos inflamáveis -como álcool e formol- tenham sido deixados próximos um do outro, causando uma combustão. Outra possibilidade é que tenha havido algum problema elétrico.
De acordo com o instituto, o prédio não possuía nenhuma irregularidade ligada a questões de segurança.
A parte da frente do imóvel, onde ficavam animais vivos, não foi tão atingida pelo incêndio. Eles foram levados para outro imóvel. Funcionários e estudantes que chegavam ao local começavam a chorar.
(Folha de SP, 16/5)