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09/03/2010 - Cientistas brasileiras enfrentam desafios para ter sucesso
 


Como ocorre em vários setores da sociedade e em grande parte do mercado de trabalho no Brasil, as cientistas ainda enfrentam dificuldades para seguir com a carreira

Os obstáculos são diversos, mas não impedem a superação dos desafios e os exemplos de sucesso. Tânia Pereira Dominici, astrônoma do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), em Itajubá (MG), na adolescência já sabia o queria ser, uma cientista.

Ela começou um programa de visitação em universidades até definir em que área entraria. Hoje, ela trabalha com astronomia observacional, instrumentação, suporte aos usuários e à comunidade astronômica e é gerente do observatório Pico dos Dias, que é o maior telescópio do Brasil.

Tânia diz das dificuldades da caminhada para o sucesso na ciência. Da participação pequena das mulheres. Em particular na astronomia, as mulheres são pouco representadas. Para ela, é necessário colocar a carreira científica como uma opção para as mulheres. Em sua área, passou por algumas faculdades no exterior, até se consolidar no LNA.

A cientista acredita em políticas públicas para informar todos os aspectos de sua área de formação, pois no caso dela como astrônoma, é preciso ter disponibilidade para morar no exterior até se estabilizar em algum instituto. Na astronomia, levam-se pelo menos 10 anos para se fixar em algum laboratório.

Topo
 
Dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) mostram que apenas 34% das mulheres chegam ao topo da carreira científica. Os níveis mais altos da bolsa de Produtividade e Pesquisa, do CNPq, estão em sua maioria com pesquisadores do sexo masculino, enquanto nos níveis iniciais da carreira, o número de mulheres é bem mais expressivo, ou seja, as cientistas desistem de prosseguir com seus estudos.

Para Wrana Panizzi, vice-presidente do CNPq, a imagem do cientista ainda está vinculada ao sexo masculino. Para ela, um forte investimento em políticas públicas pode ser capaz de mudar a visão das mulheres e incentivá-las nas carreiras científicas.

O CNPq tem um programa chamado Mulher Ciência, para difundir a carreira científica entre as mulheres. Existe também um conjunto de ações para incentivá-las, como a prorrogação dos prazos para bolsistas grávidas, evitando que elas desistam de concluir pesquisas.

Brasileira é a maior especialista em vulcões do mundo

O talento e a determinação brasileira ganharam espaço no exterior e em outros planetas. A pesquisa espacial, por exemplo, conta com a experiência da carioca Rosaly Lopes. A ex-garota de Ipanema trabalha no Laboratório de Propulsão a Jato da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa), na Califórnia, há 20 anos. Ainda jovem trocou a Cidade Maravilhosa pelo sonho de desvendar os mistérios do Universo.

Apoiada pela família, Rosaly saiu do Rio de Janeiro aos 18 anos, para estudar astronomia na Universidade de Londres, Inglaterra, devido à falta de recursos no Brasil na época. Lá, se encantou com os vulcões ao cursar uma disciplina sobre a geologia dos planetas. Ela integrou uma equipe de pesquisadores na Itália e, em 1989, passou a fazer parte do quadro da Nasa, onde teve a oportunidade de estudar vulcões em outros planetas.  

A vocação já era visível aos quatro anos de idade, quando ficava grudada na televisão em busca de curiosidades planetárias. Hoje, aos 53 anos, Rosaly está à frente da Missão Cassini, que explora, com um satélite, o planeta Saturno e suas luas. A brasileira coordena um radar utilizado para enxergar através da atmosfera de nuvens que envolvem o planeta gigante. Atua como cientista-representante do equipamento propondo as observações a serem feitas. A missão estava planejada para durar quatro anos, mas foi estendida pela Nasa até 2017, devido aos resultados satisfatórios.

Vulcões

Rosaly é considerada uma das maiores especialistas em vulcões do mundo. Ela encontrou 71 deles ativos em Io, lua de Júpiter. Por esse feito, entrou para o Guiness americano, o livro dos recordes. A astrônoma considera "importante estudar os processos vulcânicos de outros planetas por funcionarem como laboratórios naturais para entender melhor os processos geológicos na Terra".

Sobre o tema, ela escreveu quatro livros. Entre eles, "The Volcano Adventure Guide", publicado pela Cambridge University Press, traduzido em português com o título de "Turismo de Aventuras em Vulcões", e publicado pela editora Oficina do Texto. A obra traça uma trajetória turística dos vulcões terrestres e serve de orientação para quem quer saber um pouco mais sobre assunto.

"Antes desse livro não tinha nenhuma publicação que dissesse como visitar um vulcão ativo. O que é perigoso ou não. As pessoas me diziam, em palestras, que queriam visitar e fotografar um vulcão. Então, entendi que tinha uma necessidade de atender o público leigo", justifica.

Em 2009, a brasileira foi premiada pela instituição Wings Worldquest, de Nova Iorque, e estava entre as cinco cientistas agraciadas com o Women of Discovery. Recebeu também o prêmio Carl Sagan, da Sociedade Astronômica Americana, em 2005; concedido a cientistas ativos voltados à divulgação da ciência.  Pelas atividades educacionais junto ao público de países hispânicos e da América Latina, foi consagrada, em 1991, com um prêmio outorgado pelo governo mexicano. Em 1997, foi eleita por uma rede latina de televisão de Miami, a mulher do ano, na área de ciência e tecnologia.

A cientista diz não ter sofrido preconceitos ou empecilhos na carreira nos Estados Unidos por ser mulher e estrangeira. E o fato de ser uma cientista requisitada, não a impediu de cumprir o papel de mãe. Rosaly, quando não está de olho no espaço, procura focar a atenção no filho Thomas Nicholas, de 16 anos. "É uma questão de prioridades, sempre tenho muito trabalho, mas o tempo que passamos juntos é muito importante, não pela quantidade, mas pela qualidade".

Rosaly afirma que o filho também se beneficiou com o sucesso de sua carreira. "Pude dar oportunidades a ele que muitas crianças não têm. Ele participa de palestras, conhece muitos cientistas e viaja para muitos lugares do mundo comigo. Thomas tem uma visão de mulher que pode ser cientista, independente e bem-sucedida", conta.

(Assessoria de Comunicação do MCT)

 
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